Festival Internacional de Folclore se despede após 18 dias de cultura, encontros e celebração da diversidade

Com a extinção da chama folclórica, mais um capítulo da história de Nova Petrópolis foi escrito

Fotos: Jei Heydt

Após 18 dias transformando Nova Petrópolis em um verdadeiro palco do mundo, o 53º Festival Internacional de Folclore chegou ao fim neste domingo, 2 de agosto, reafirmando sua posição como um dos maiores eventos culturais do Brasil. Cerca de 150 mil pessoas passaram pelo Festival, que reuniu 47 grupos, aproximadamente 2.000 dançarinos, promoveu 114 horas de apresentações no palco principal, nove oficinas culturais, quatro Noites Culturais no interior, além de uma intensa programação que aproximou artistas e público em uma grande celebração da diversidade.

O último fim de semana foi marcado por um dos momentos mais aguardados da programação: o Desfile de Integração, realizado na Avenida 15 de Novembro. Adiado no domingo anterior em razão das condições climáticas, o desfile reuniu milhares de pessoas ao longo da principal via da cidade, em um espetáculo de cores, música e tradições, com a participação dos grupos locais, nacionais e internacionais.

Para quem acompanhava o desfile, a experiência ia muito além das apresentações. A visitante Denise Azeredo, de Novo Hamburgo, resumiu o sentimento vivido na avenida. "O desfile é uma sensação de comunhão entre várias línguas, diversidade, respeito, juventude e cultura. É como um jardim muito colorido, o que realmente Nova Petrópolis é."

Frequentadora do Festival, Denise contou que faz questão de retornar sempre que pode. Nordestina, encontra no evento uma forma de rever grupos de sua terra, como Os Cariris, da Paraíba, além de reencontrar amigos de diferentes regiões do Brasil e do exterior. "É uma forma de matar a saudade. Mas também venho para aprender. Cada edição ensina algo novo sobre culturas diferentes."

Ao longo dos 18 dias, histórias como essa se multiplicaram. Para muitos visitantes, o Festival deixou de ser apenas um evento e passou a fazer parte da própria trajetória de vida. É o caso do casal Eliana Ramos Paiva e Antônio Augusto Paiva, que conheceu Nova Petrópolis por meio do Festival há mais de 15 anos. As visitas frequentes despertaram um vínculo tão forte com a cidade que, após a aposentadoria, decidiram morar no Município. "O Festival nos trouxe para Nova Petrópolis. Hoje nos sentimos parte daqui", resume Eliana.

Para Antônio, o evento é uma experiência rara. "É um evento que reúne famílias, cultura e tranquilidade. A organização é impecável e a gente se sente acolhido." Eliana destaca que o carinho com que artistas e visitantes são recebidos explica porque tantos grupos desejam retornar. "Eles cuidam dos grupos, levam para passeios, têm acompanhantes, fazem com que todos se sintam bem. O Festival é mil."

A cerimônia de encerramento reuniu autoridades, organizadores, artistas e comunidade em um momento de emoção e agradecimento. O espetáculo "Nosso Chão, Nosso Palco" encerrou a programação propondo uma reflexão sobre pertencimento, identidade e a importância da cultura na construção das comunidades.

Durante seu pronunciamento, o prefeito Daniel Carlos Michaelsen destacou que o Festival vai muito além das apresentações artísticas. "Nestes 18 dias celebramos a cultura, fortalecemos amizades, aproximamos povos e reafirmamos que o respeito às diferentes tradições é um dos caminhos mais belos para a construção da paz. Que cada artista e visitante retorne para casa levando consigo as melhores lembranças de Nova Petrópolis e a certeza de que aqui construiu amizades que ultrapassam fronteiras."

O vice-prefeito, Alexandre da Silva, em seu discurso, agradeceu a cada grupo que preserva suas tradições e faz este Festival ter razão de existir. “Quando aprendemos a respeitar as diferenças e a valorizar a diversidade, damos um passo importante para evoluir como sociedade e como seres humanos."

O presidente da Associação dos Grupos de Danças Folclóricas Alemãs de Nova Petrópolis, Victor Lima Schwantes, fez um agradecimento especial a todas as equipes envolvidas, às Soberanas do Folclore Alemão, patrocinadores, apoiadores e voluntários que contribuíram para a realização do evento. "Não posso deixar de agradecer o nosso público. Vocês são a razão de tudo isso existir."

Outro dos momentos mais simbólicos da noite foi a extinção da Chama Folclórica, conduzida pelas soberanas Jéssica Fernanda Schaab, Olívia Nienow e Ketrin Ananda Kich. Símbolo do calor humano e da união entre os povos, a chama foi apagada no palco, mas permaneceu acesa na memória dos milhares de artistas, voluntários e visitantes que viveram intensamente esta edição.

Nos bastidores, a grandiosidade do Festival também impressionou. Foram cerca de 6.500 refeições servidas aos grupos visitantes, 3.100 diárias em hotéis e pousadas, além de aproximadamente 2.000 quilômetros percorridos pelas equipes de transporte para atender à programação.

Mais do que números, a edição de 2026 deixa um legado de encontros, amizades e respeito às diferentes culturas. Durante 18 dias, Nova Petrópolis voltou a mostrar porque é reconhecida como a cidade onde o mundo se encontra em nossa casa.

E a próxima edição já tem data marcada. O 54º Festival Internacional de Folclore acontecerá de 15 de julho a 1º de agosto de 2027, renovando o convite para que o mundo volte a se encontrar em Nova Petrópolis.

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