Da paixão pela comunicação ao desafio de empreender

Imagem: Divulgação

Muito prazer, me chamo Jéssica Loesch, sou jornalista e empreendedora, e hoje quero te contar um pouco sobre a minha trajetória profissional.

Minha relação com a comunicação começou muito antes de ela se tornar a minha profissão. Na verdade, começou ainda na escola, quando eu tinha cerca de 12 anos. Entre tantas atividades realizadas naquela época, uma delas acabou ficando marcada na minha memória: a proposta era criar um telejornal em sala de aula. Algo aparentemente simples, mas que despertou em mim uma curiosidade diferente e fez com que eu começasse a olhar para o jornalismo com outros olhos.

Aquela experiência passou, mas a ideia ficou. Aos poucos, o interesse pela comunicação foi crescendo e, quando chegou o momento de pensar no futuro profissional, um teste vocacional reforçou aquilo que já vinha amadurecendo dentro de mim: a comunicação poderia ser o meu caminho.

Na hora de prestar vestibular, Jornalismo foi minha primeira escolha e História, a segunda. Passei em penúltimo lugar — um detalhe do qual lembro até hoje — e decidi seguir em frente, mesmo diante das objeções do meu pai, que tinha suas preocupações em relação à profissão que eu estava escolhendo. Naquele momento, eu não tinha como saber onde aquela decisão me levaria. Resolvi simplesmente me aventurar.

Hoje, olhando para trás, percebo que trabalho com comunicação praticamente durante toda a minha vida profissional.

Minha primeira experiência no mercado de trabalho foi em uma escola de informática, onde permaneci por nove meses. Pouco depois, ainda no segundo semestre da faculdade, surgiu a oportunidade que começaria a transformar aquela escolha em profissão: uma vaga de repórter no Jornal O Diário.

Cheguei sem experiência em redação e com muito para aprender. Foi no dia a dia do jornal, entrevistando pessoas, buscando informações, escrevendo matérias e conhecendo diferentes histórias, que comecei verdadeiramente a entender o significado da profissão que havia escolhido. E não demorou para surgir uma certeza: era aquilo que eu queria fazer da minha vida.

No Jornal O Diário, atuei como repórter e também como colunista. Foram cerca de cinco anos de aprendizados, fundamentais para a construção da jornalista que eu viria a me tornar.

Em novembro de 2013, um novo capítulo começou a ser escrito quando passei a trabalhar no Jornal A Ponte. E, poucos meses depois, aconteceu uma daquelas reviravoltas que mudam completamente uma trajetória.

Em maio de 2014, com o apoio do meu pai — o mesmo que anos antes havia demonstrado preocupação quando decidi cursar Jornalismo — adquiri o Jornal A Ponte e passei a ser responsável pela gestão do periódico. Naquele mesmo ano, concluí minha graduação em Jornalismo pela Universidade de Caxias do Sul (UCS).

A partir dali, deixei de ser apenas jornalista para me tornar também gestora e empreendedora. E talvez esse tenha sido um dos maiores aprendizados da minha trajetória. Eu sabia fazer jornalismo, mas precisava aprender a administrar um negócio, tomar decisões, buscar alternativas, lidar com dificuldades e, principalmente, pensar no futuro de um veículo que já carregava uma longa história antes mesmo da minha chegada.

Ao longo dos anos, promovemos muitas transformações. Ampliamos a atuação do Jornal A Ponte, fortalecendo sua presença em Nova Petrópolis, Picada Café e Linha Nova, e buscamos tornar o jornal mais dinâmico, próximo das pessoas e conectado às mudanças da própria comunicação.

Em 2020, começamos a investir nas transmissões ao vivo e nas entrevistas em vídeo. O formato cresceu, conquistou seu espaço e hoje é um dos carros-chefes do Jornal A Ponte.

Outra grande transformação aconteceu em dezembro de 2021, quando encerramos a circulação semanal da edição impressa e passamos a atuar de forma totalmente digital. Para um jornal com décadas de história no papel, foi uma decisão importante e desafiadora, mas também representou a necessidade de acompanhar uma nova realidade e a forma como as pessoas passaram a consumir informação.

Empreender na comunicação me ensinou que poucas coisas permanecem iguais por muito tempo. É preciso observar, aprender, mudar e, muitas vezes, ter coragem para abandonar fórmulas que funcionaram durante anos para experimentar novos caminhos.

Ao longo dessa caminhada, enfrentamos muitos desafios, mas também tivemos inúmeras conquistas. Contamos milhares de histórias, acompanhamos acontecimentos importantes, criamos vínculos com nossas comunidades e conseguimos manter vivo e relevante um veículo que atravessou diferentes gerações.

Em fevereiro de 2027, o Jornal A Ponte completa 50 anos. É um marco que carrega um significado muito especial para mim. Tenho consciência de que faço parte de apenas um capítulo dessa história, construída por muitas pessoas ao longo de cinco décadas, mas também tenho orgulho de ter recebido a responsabilidade de conduzir o jornal durante um período de profundas transformações na comunicação.

Em 2026, minha caminhada como empreendedora também ganhou um novo espaço com a entrada no Núcleo de Mulheres Empreendedoras da ACINP. Fazer parte do grupo tem possibilitado novas conexões, trocas de experiências e aprendizados ao lado de outras mulheres que também conhecem os desafios de empreender e compartilham o desejo de crescer e evoluir.

Quando penso naquela menina de aproximadamente 12 anos criando um telejornal como atividade escolar, é impossível não estabelecer uma ligação com tudo o que veio depois. Naquele momento, eu não sabia que a comunicação ocuparia um espaço tão grande na minha vida.

Hoje sei.

O jornalismo começou como uma curiosidade, tornou-se uma escolha e, com o passar dos anos, transformou-se na minha profissão, no meu negócio e em uma parte importante da minha própria história.

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