Mulheres Pioneiras: Entrevista com Eliane Hoffmann

Foto: Arquivo Pessoal

Nome da entrevistada: Eliane Hoffmann

Breve relato sobre quem é você (família e formação): 

A minha formação foi calculada, projetada e concluída no decorrer de muitos anos de faculdade. Inicialmente, fiz Sociologia na Unisinos e depois Ciências Sociais para ter o título de socióloga.  

Nesse meio tempo, para me manter economicamente e seguir estudando, fiz o concurso da Secretaria da Fazenda, e passei a atuar como Técnica Fazendária junto ao ICM. Trabalhei em municípios como Canela, Gramado, Três Coroas, Igrejinha e São Francisco de Paula, até aceitar a transferência para Nova Petrópolis.  

Chegando aqui, me dei conta de que havia a faculdade de Direito a 30 quilômetros da cidade, na Universidade de Caxias do Sul, onde fiz vestibular, passei e cursei.  

Como você se define? 

A partir do relato inicial, me defino como batalhadora, perseverante e, acima de tudo, persistente. Ou seja, venho perseguindo a minha formação desde os 18 anos.

O que te levou a empreender e dar o primeiro passo? 

Quando não se nasce em "berço esplêndido", a única forma de vencer na vida é batalhando e se formando. Eu logo reconheci isso e vi a diferença entre ter e não ter dinheiro. E essa foi a minha grande perseguição: ser alguém para poder me apresentar como uma profissional. 

Qual foi o maior desafio da sua trajetória e o que ele te ensinou? 

O meu maior desafio foi ser uma trabalhadora, uma estudante e uma profissional criando dois filhos ao mesmo tempo. Creio que, para toda e qualquer mulher, esse seja o maior desafio.

Teve alguma decisão ou momento que mudou tudo no seu negócio? 

Sim, o meu negócio mudou quando, já trabalhando no Direito, tive a oportunidade de atender a um casal de empresários da cidade. Abracei essa oportunidade e, há quase 30 anos, ainda atuo e sou parceira desse casal. Agradeço por ter tido essa oportunidade e venho conquistando ano após ano, através do meu trabalho, a confiança deles.  

O que ninguém te contou sobre liderar um negócio? 

Que ninguém nasce pronto e ninguém está pronto para nenhuma formação. O meu maior pânico quando me formei em Direito foi perguntar a mim mesma: "E agora, o que fazer?".  

Então, liderar um negócio é ter força, persistência e, acima de tudo, ter autoliderança. Não adianta querer liderar um negócio se, automaticamente, eu não for me liderar. Porque quem não tem disciplina não avança! E esse não é um conceito meu, é o conceito de um grande professor alemão, e eu segui à risca: primeiro ter autodisciplina para depois poder negociar, conquistar e liderar!

Como ser mulher impactou a sua jornada empreendedora? 

No meu ponto de vista, ser empreendedora ou empreendedor não tem sexo; tudo depende da vontade de cada ser humano. Se eu não me proponho e não me preparo, eu nada conquisto.  

Que atitude ou mentalidade foi essencial para você chegar até aqui? 

Força de vontade em primeiro lugar e educação em segundo. Não há necessidade de ser uma líder nata, mas sim ter essa autodisciplina e realizar grandes estudos, sem me focar só em uma área. E, acima de tudo, ser autodidata.

Do que você mais se orgulha na sua trajetória até hoje? 

Eu não sou a favor da palavra orgulho; sou mais a favor da palavra autodisciplina, pois a pessoa determinada chega aonde ela quer. Não é o orgulho que move as pessoas. Eu não me orgulho da minha trajetória, mas a relato como uma luta — uma luta de qualquer pessoa que deseja vencer na vida.  

Que legado você quer deixar? 

Eu não fiz história, só batalhei por mim e tentei passar essa luta para os meus filhos, e acho que essa é a minha vitória. Não quero deixar legado nenhum.  

Que conselho você daria para outras mulheres que querem empreender? 

Não tenham pena de si, lutem!

 

 

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