Mulheres Pioneiras: Entrevista com Marina Schwantes

Foto: Arquivo Pessoal

Nome da entrevistada: Marina Schwantes  

Breve relato sobre quem é você:
Sou Marina Schwantes, segunda de sete filhos do casal Anna e Helmut Schwantes, nascida em Nova Petrópolis na localidade de Fazenda Pirajá, onde estudei até o 4° ano e trabalhei na área rural até meus 21 anos. Ao vir morar na cidade, trabalhei como faxineira em várias residências. Sou dona do Supermercado Marina, estabelecimento comercial fundado por mim há 50 anos.

Breve relato sobre a sua empresa:
Inicialmente o Supermercado Marina era um pequeno armazém, onde eu servia almoço e também funcionava como bar ao fim do dia. Com o tempo, comecei a produzir pães e outros produtos de padaria e conforme fui ganhando o prestígio dos clientes fui aumentando a produção e incrementando minhas receitas. Hoje o Marina é conhecido pela qualidade e sabores preservados ao longo desses 50 anos. 

Como você se define?
Sou uma mulher trabalhadora, persistente, que ama o que faz e que sempre acreditou na força do trabalho. 

O que te levou a empreender e dar o primeiro passo?
Quando criança eu já sonhava em ter meu próprio negócio, e assim que surgiu a oportunidade não pensei duas vezes, comprei o armazém e, desde então, trabalho incansavelmente no ramo que tanto gosto.  

Qual foi o maior desafio da sua trajetória e o que ele te ensinou?
No final dos anos 80 houve um período de grande inflação na economia brasileira. Lembro que nesse período muitos comércios faliram, porém foi quando ganhei mais dinheiro, pois entendi a melhor forma de administrar, vendendo para meus clientes pagarem por mês e fazendo as contas no dia que iria receber. Assim, conseguia aplicar o valor atual dos produtos, conseguindo uma margem maior. Passava noites fazendo contas no lápis, mas isso não era problema para mim, pois nunca me importei com o trabalho! Foi uma fase difícil, porém cheia de aprendizados que só me fortaleceram! 

Teve alguma decisão ou momento que mudou tudo no seu negócio?
Uma decisão difícil foi o momento em que precisei fechar a filial , minha casa de sopas, no centro! Eu gostava muito de atender meus clientes locais e, especialmente, o grande número de turistas que visitavam e se encantavam com a qualidade dos produtos. Inclusive, fiz amigos de muitos lugares que voltavam à cidade e sempre me procuravam. Lembro com muito carinho dessa fase! 

Como ser mulher impactou a sua jornada empreendedora?
Nunca passei por nenhuma dificuldade simplesmente por ser mulher, até porque nunca me importei com nada do tipo. Sempre acreditei na minha força e no meu trabalho, conquistando meu lugar e o respeito da comunidade. 

Que atitude ou mentalidade foi essencial para você chegar até aqui?
Uma coisa de extrema importância para mim sempre foi manter o pensamento positivo e a cabeça erguida, mesmo em dias difíceis nunca transparecer tristeza ou preocupação. Manter a qualidade dos meus produtos também foi essencial na minha trajetória; agradar os meus clientes é muito gratificante!

Do que você mais se orgulha na sua trajetória até hoje?
O meu maior orgulho é chegar ao cinquentenário do meu comércio, sendo a responsável desde o início e ainda tendo disposição para trabalhar. Isso é para poucos! Me orgulho muito quando ouço um elogio de clientes e amigos!

Que legado você quer deixar?
É muito importante o trabalho sério e o comprometimento, sendo esse o legado que quero deixar para as próximas gerações. Nada se consegue sem trabalho, e quando você realmente gosta do que faz, isso se torna um prazer! 

Que conselho você daria para outras mulheres que querem empreender?
Meu conselho para outras mulheres que desejam empreender é que pensem muito bem se é realmente isso que querem, pois empreender é muito difícil e exige muita dedicação, persistência e coragem. Inclusive, com toda a experiência que tenho hoje, se eu estivesse começando agora, talvez não começasse novamente, justamente por saber o quanto essa jornada pode ser desafiadora!

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